domingo, 23 de outubro de 2016

“Tem dias que a gente...” como é mesmo aquela música do Chico Buarque?

Hoje eu não quero recorrer aos mecanismos de busca e as formas booleanas da internet para me fazer “lembrar” o restante da música. Sinto que a minha memória está se esvaindo. E isso é preocupante!
Mais um domingo se vai e dizem que agora estamos sendo regidos por escorpião.
Eu quero dormir, MAS
Bom, tem dias que a gente se sente mal como um diabo. Esse é um desses dias. Não consigo concentrar em nada e minha cabeça está cheia de links. Portanto, esse texto não tem nada de concatenação ou desencadeamento disso ou daquilo.
Li, mais cedo, em uma das redes sociais, da qual faço uso, qualquer coisa do tipo: “não deixe esse vídeo morrer”, “não deixe essa música morrer”, “não deixe...” do que estávamos falando?
Ah, claro! Do guardar!
Antônio Cícero (é com acento ou sem acento gráfico? É António mesmo? Que é Cícero eu tenho certeza... mas estou em dúvida em relação ao Antonio. Será que ele tá bem?!) em um livro de poesia que eu não lembro o nome – que, a propósito, me foi apresentado por uma amiga jornalista apaixonada por cinema e audiovisual que eu conheci em Braga durante um período que eu passei no velho mundo. Viu? Já me perdi nos meus links.
Isso me fez lembrar de uma professora que tive de fundamentos teóricos da produção em TV, que sempre abria muitos e muitos parêntesis em suas falas. Ao contrário dela, eu não sei se vou conseguir fechá-los de modo “adequado” nesse monte de palavras que insisto em digitar...
Pois bem, o Cícero é mesmo um cínico! Não, não o da filosofia! Oh céus, pq estou a confundir Cícero com Diógenes? Falemos do poeta que tem um poema que é sobre o “guardar” e este – junto com o lance do “não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar” ou “isso ou aquilo falecer” – me faz pensar o quanto o “passado”, que não é esquecido, está presente em nosso cotidiano.
O danado do esquecido está cheio de memória ou como diria Beneditti “ninguém sabe, nem pode, ainda que queira, esquecer”. Por exemplo, acabei de lembrar que na peça “Huis cois”, de Sartre, o personagem Garcin diz uma das frases mais conhecidas do Castor (ou é a Beauvoir que é o castor?): “o inferno são os outros”. Q inferno! Acabei de lembrar que não estendi os tapetes que pus pra lavar...


Esta foi uma tentativa de escrever um texto com sono, sem concentração e ouvindo Maria Callas, ou seja, já deu uma página com espacejamento de 1,5 (mia vô, aquela linda, fala assim) então já tá bom... 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Festa no Interior - Bodas de Esmeralda

“Foi numa noite igual a esta...” que minha mãe disse sim ao meu pai e meu pai disse sim a minha mãe. “Foi numa noite igual a esta...” que, há quarenta anos, uniram-se no interior do Piauí: Maria, “uma mulher que merece viver e amar” e Raimundo, “mundo mundo vasto mundo”. Foi uma cerimônia “da roça”, simples e linda (como só as coisas simples conseguem ser). Quem me dera ter participado da festa... eu nem sonhava em nascer e o que me chega vem pelas fotografias em preto e branco (um charme) e pela oralidade (o meu povo conversa muito! Uma história mais linda que a outra). Casaram-se numa festa junina na Paróquia Nossa Senhora das Graças (acho que é por isso que eu gosto tanto de festas juninas e sou cheio de Graça). “Havia balões no ar. Xote, baião no salão”, sanfona, comidas típicas, alegria, festa e amor. Amor que gerou seis filhos (eu sou o caçula) e muitos netos. São quarenta anos de muita “labuta”, aprendizagens e dedicação... Trago na pele a “estranha mania de ter fé na vida” e grato sou por ter mãe e pai tão amorosos, cheios de histórias para contar e ricos de viver. Boas bodas de esmeraldas meus amores! Não tem como falar de vocês sem encher os olhos de água, mas é de alegria, de amor e orgulho de saber que tenho lindas raízes. A lua está linda hoje e eu não me canso cantar “olha pro céu, meu amor vê como ele está lindo...”



Eu não sei nada de casamentos e nem penso em casar (mentira/verdade/nunca saberão), mas se algum dia isso ocorrer gostaria que fosse, no mínimo, parecido com o casório de Dona Maria e Seu Raimundo... uma festança junina de incendiar corações.

P.S.: Palmas e o Tocantins inteiro pro vestido de noiva da minha mãe. Lin.dis.sí.mo!!! (assim como ela!)

terça-feira, 15 de julho de 2014

De mãos dadas

Ontem, dia emblemático para os amigos franceses e para quem minimamente gosta de História, apareceu no meu feed de notícias do fb a publicação de um amigo (cronista e veterano de “guerra e paz”) que demonstrava como ele se sente quando anda de mãos dadas com o namorado (sim, o termo é este: namoradO) pelas ruas.
Era algo parecido como estar num zoológico, na qual eles eram os bichinhos fofinhos.  
“– Posso ter um desses mamãe?”, pergunta uma criança admirada com a situação.
“– Não querido, mas posso te trazer aqui quantas vezes você quiser”, retruca a mãe bondosa.
Teve até a hipótese de chuva de amendoins, mas os transeuntes (como “bons leitores”) devem ter lido a placa que dizia: “não alimente os animais”. Ele, o meu amigo, demonstrou um senso de humor esplêndido (característica dele que me é muito cara). Entretanto, essa situação causou em mim uma angústia aguda, agudíssima! Não curti a publicação, apenas comentei com um “emoticon” sinalizando a minha tristeza.
Mesmo com tanta coisa pra fazer, na correria do dia a dia, passei a tarde a pensar nessa situação... alguns comentários se sucederam me remetendo a outras paragens. Fui parar em uma Madrid dos anos 2010 (sempre quis usar este termo!) onde caminhava livremente de mãos dadas, num fim de tarde, pelas ruas do Chueca, pelas praças próximas ao Prado, pela vida... sem nem me tocar que estava em público. Na verdade, eu adoro o público!
Ah! Mas rapidinho eu voltei para a “real”. O que me fez pensar um tantão de coisas... Por que é tão difícil entendermos que existem inúmeras formas de amor/amar? Por que nos incomodamos tanto com o diferente? Será que ainda estamos naquela de que fomos feitos só para “reprodução” ?! (Olha, e não é que estamos reproduzindo – e de maneira hipócrita – vários destes conceitos de desamor?). Certamente estas são questões que dão muito pano pra manga, quiçá um vestido todinho da Chanel (insira aqui sua estilista/costureira favorita).
Na literatura, na ópera, nas músicas, nos espetáculos teatrais e de danças, nas sessões de cinema, nas HQs, nos capítulos das novelas, nas ruas... enfim, em diversas situações cotidianas o andar de mãos dadas é lindo! Mas por que este “é lindo” só é válido para casais heterossexuais?!
“– Nossa, tudo este menino faz alarde!”, dirá um, dois ou dez dos meus colegas do fb. Talvez, mas já pararam pra pensar como é irritante ser privado de fazer coisas tão simples para casais heterossexuais e que quando feitas por homossexuais mudam de figura e se tornam um bicho de sete mil cabeças?! (NÃO, isto não é uma hipérbole e eu ainda nem comecei a fazer drama). Isto é real. Acabou de acontecer com o meu amigo. Acontece todos os dias com centenas e centenas de pessoas. E eu nem estou a falar da Uganda, Irã ou Rússia, onde a situação é bem pior...



QUANDO ESTA BASTILHA VAI CAIR?!

Desculpe o grito, mas quando poderemos dizer sem medo liberté, egalité, fraternité, beyoncé (prefiro Maria Bethânia, mas num rima poxa!) e os és da vida? Quando poderemos andar de mãos dadas sem estes olhares de inquisição espanhola / nazista de uma raça pura e disfarçados de “ownt, que fofo!” ?! Quando estaremos livres de “lâmpadadas” na cabeça e uma porção de atrocidades que sofremos por sermos o que somos?
“Então”, “todo dia de manhã eu tomo o meu café amargo. Não é fácil, [definitivamente] não é fácil...”. Temos, diuturnamente, buscado desafiar o status quo e assumir um papel transformador na “sociedade”. Seja na fila do banco, seja no caixa do supermercado, seja na universidade, seja nas ruas em passeatas e beijaços, seja no voto (e não se engane, o “pessoal” também é político).

É como a história do meu amigo que quer andar de mãos dadas com o namorado sem ser julgado anormal por isso. O olhar inquisidor e o mal estão tão impregnados, disseminados que eles chegam a ser transparentes. Todavia, “com ou sem olhares, meu querido, faça valer a pena”. Façamos mini protestos como este incentivando os que ainda têm dúvidas, como quem diz: “sim, nós também podemos andar de mãos dadas”.

Judi